Algumas medidas simples podem ajudar as indústrias a obterem economia expressiva com o custo de energia elétrica, algo que pode representar boa parte do investimento para a produção. Segundo o consultor da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Fábio Sales Dias, engenheiro eletricista especialista no assunto, essa despesa pode significar 40% do custo total de produção em uma indústria de alumínio, por exemplo. Em vários outros setores, a energia elétrica também pesa nas contas. Na área têxtil, chega a 18%; nos setores metalmecânico e moveleiro, varia entre 15% e 18%.

Esse consumo aliado ao alto preço da energia tornam ainda mais importantes as medidas de economia. De acordo com Sales, a energia brasileira era a quarta mais cara do mundo em 2012. No ano passado, uma medida provisória do governo federal desonerou parte da conta e o país passou a ter a 11ª posição entre as tarifas mais caras. A má notícia, no entanto, é que logo deve voltar a figurar entre os primeiros lugares. “Essa medida não é permanente e a expectativa é de que até 2016, se não houverem outras ações, o país retorne à quarta posição”, explicou o consultor.

Segundo ele, a produção da energia no Brasil é bastante barata em função do grande potencial hidrelétrico, mas a alta carga tributária não permite preços mais baixos para os industriais e demais consumidores.

Se a resolução do problema ainda está distante, é possível, em muitos casos, ao menos reduzir a conta paga no final do mês, mesmo sem diminuir o consumo. O assunto foi tratado em um curso gratuito oferecido pelo Sistema Fiep e pelo Sebrae em Curitiba no final de julho, dentro do âmbito do Programa de Desenvolvimento Associativo (PDA). Outras edições estão previstas para várias cidades do Paraná. A seguir você confere as principais dicas do consultor:

 

Classificação do consumidor

“O ponto mais importante é entender o que você paga”, explica Sales. De acordo com ele, muitas vezes, os consumidores industriais estão classificados de forma errada e, portanto, pagando mais do que deveriam pela energia. “Para citar um exemplo, em uma empresa que estava classificada de forma incorreta o custo da energia era de R$ 19 mil mensais. Após a correção, com uma simples solicitação para a companhia elétrica e sem nenhum custo, a empresa passou com o mesmo consumo a pagar R$ 16 mil”, afirma. Essa classificação depende das características de cada empresa e é possível contar com um profissional para indicar a mais correta gerando economia.

 

Demanda e consumo

Outro ponto que, segundo o consultor, acaba representando um gasto desnecessário é a contratação de uma demanda maior ou menor do que o consumo. “Os consumidores industriais precisam contratar uma demanda, apontando qual a faixa de consumo necessário para sua empresa. O ponto, no entanto, é que se ele consumir menos do que a demanda, esse custo será fixo. Ao contrário, se ele gastar a mais, haverá uma multa por excedente. Nesses casos, é muito importante uma análise criteriosa da necessidade para evitar ao máximo o desperdício de recursos”, analisa.

Ele explica que este tipo de cálculo deve ser feito por um profissional especializado, que irá considerar a sazonalidade da produção e as exigências reais da empresa. “As empresas podem contar inclusive com a assessoria do Senai neste sentido, evitando pagar mais do que realmente irão precisar”.

 

Nível de tensão

Na esteira deste ponto também está o nível de tensão utilizado pela indústria. “As tarifas de energia variam em função da tensão e, muitas vezes, é possível fazer uma adequação do nível obtendo uma tarifa mais vantajosa para a indústria. Nesse caso, há um investimento em transformador, mas que pode valer a pena”, orienta.

 

Consumidor livre e geração própria

Outra medida que o industrial pode tomar é escolher a empresa da qual deseja adquirir a energia. “Os consumidores residenciais não têm essa opção e serão atendidos obrigatoriamente pela Copel, no Paraná. Já as empresas podem sim contratar em qualquer lugar do Brasil a sua fornecedora de energia. E, neste caso, valem os princípios da concorrência”, observou Sales. Outra possibilidade, que exige investimentos, mas pode ser compensadora, é a geração da própria da energia.

 

Eficiência energética

As indústrias também podem reduzir o consumo e, consequentemente, a conta da energia, aumentando a eficiência de máquinas e equipamentos. “É preciso analisar o custo benefício desses investimentos, mas essas iniciativas contam muitas vezes com apoio como financiamentos especiais”, explicou. Entram nesse aspecto também outras medidas simples, como a instalação de sensores em áreas que não necessitam de iluminação constante e o treinamento dos funcionários. “Pode parecer pouco, mas o simples ato de apagar as luzes de uma sala ao sair pode ajudar a reduzir o custo da energia”, finalizou o consultor.

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